quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Yosemite - Parte IV

Merced River

A partida de Yosemite foi em uma manhã ensolarada, após mais uma tentativa em alguns boulders. O caminho feito para sair do parque foi através da Tioga Road que geralmente fica fechada durante o inverno (Não sabíamos o motivo até passar por ela: Percebemos o quão exposta e de encostas erosivas ela era. E dirigir ali, com neve, deve ser um total suicídio). Esta estrada atravessa o parque do Valley até chegar no Mono Lake, do outro lado do estado da Califórnia, perto de Nevada. Durante seu trajeto, fomos presenteados com paisagens maravilhosas, as quais são melhores descritas em fotos do que em texto:

Tenaya Canyon

Tuolumne Meadows

Dana Meadows com neve


Depois que essa linda estrada terminou, ela ficou monótona... mas só até chegar em Bishop!


BISHOP! Finalmente!

Área dos Happy Boulders. Foto por Cláudio Brisighello

Caramba, por onde começar? - Essa era a pergunta cruel. Tínhamos em mãos o guia Bishop Bouldering (Wills Young e Mick Ryan) e posso dizer que foi a melhor compra da REI. O guia é completo, além de contar sobre a cidade (Hotéis, restaurantes, lojas, etc.) ele descreve detalhadamente os boulders com fotos coloridas, é perfeito! Já havíamos decidido ir para os Happies mas a infinidade de pedras e problemas nos fizeram parecer crianças em loja de doces.

O tempo na cidade, quando chegamos, era de extremo calor. O ar era seco e aquele jeito de deserto fez nossas rinites acordarem. Mesmo com o sol na cabeça, ainda naquele êxtase inicial, entramos em vários boulders e aproveitamos pra pegar uma corzinha indesejada (E mais tarde remediada com muito creme hidratante, deuses!). Passado a euforia da chegada, caçamos os boulders que estavam na sombra, e olhe lá.

Cláudio no "Swordfish Trombone" (Negativo = Sombra, yes!)

Nessa época do ano o acampamento de escaladores da região, o Pit, fica fechado e por isso acabamos abandonando a idéia do camping pelo fato do clima ser bem inóspito e de não ter água (Isso, nada mesmo) por lá. Agradeço até hoje a essa decisão porque no dia seguinte desse sol imperdoável... nevou. Pois é, as lindas montanhas que cercam Bishop (Que se situa em um vale) ficaram com seus topos branquinhos! E a partir daí nem preciso dizer que só escalamos novamente no sol pois a friaca que chegou fazia nossos dedos dormentes! Eu que sou friorenta então, quase morri até acostumar com a virada. Os ventos cortantes também era imperdoáveis. O Cláudio, com seu espírito muito mais empreendedor que o meu, diga-se de passagem, trabalhava os problemas com o vento quase tirando ele da agarra. Isso sim é ser focado!

O fato de dormirmos em um hotel nos deixou muito mais dispostos para escalar dias seguidos a fio. O gasto é maior mas, pesquisando pela cidade, encontramos este hotel familiar e a sua média de preço por cabeça era $29, praticamente o preço de um albergue, tirando o fato que você tem uma suíte particular e limpa, com chuveiro bom e a possibilidade de usar sua cozinha caso queira preparar suas próprias refeições (Pagando uma taxa pela utilização). Deixo a dica para quem quiser: Lakeview Motel, 2296 N. Sierra Hwy. (Na rodovia, praticamente no ínicio da cidade).

A pedra vulcânica esburacada de Bishop

Tá bom, deixa eu falar logo da escalada nos Happy Boulders: In-crí-vel! Eu, com certeza, me identifiquei muito mais com o estilo atlético que as pedras vulcânicas deste canyon nos proporcionaram. Muita buraqueira e agarrões com movimentos dinâmicos e posicionamentos exigentes. Fiz muita força nesses blocos e saí totalmente feliz de lá. Cada problema mais lindo que o outro, com movimentações que nos dão gosto pela sua beleza de execução. E haviam muitas áreas com muitos blocos, cada bloco com vários problemas e, enfim... acho que já deu para entender porque praticamente passamos todos os dias neste setor.

"The 60 Foot Woman Traverse". Foto por Cláudio Brisighello

Yuri e um toe hook. Foto por Cláudio Brisighello

Para não dizer que não tentamos, visitamos a área dos Buttermilks e seus gigantescos clássicos. Infelizmente, a altura dos highballs e o frio nos deixou um pouco intimidados. Brinquei no famoso Iron Man, uma travessia super gostosa de se trabalhar, e voltamos aos Happies onde o tempo era mais quente(!) do que lá - Acreditem se quiser.

"Iron Man Traverse". Foto por Cláudio Brisighello

O cansaço realmente bateu no último dia de escalada quando a vontade de tentar mandar tudo o que tínhamos trabalhado durante os últimos dias, brigava com o esgotamento total de quase nenhum dia de descanso, fuso horários, climatização, horas dirigindo nas estradas e a falta de pele! Mas apesar de tantos contras, só trouxemos os prós de volta para casa. Foi uma viagem sem metas mas com muitas experiências ganhas. E o meu maior desejo para uma próxima é ter mais tempo em cada lugar para poder focar nos projetos possíveis para o meu grau.


Vídeo mostrando um pouco dos Happies

Ah! E não, não encontramos o Rodras por lá! What a shame, dude!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Yosemite - Parte III

Cláudio em direção aos Royal Arches

As estradas que saem de San Francisco para Yosemite são excelentes (Como a maioria das estradas americanas). A única parte ruim é o trânsito local para se sair da cidade. Depois disso é só alegria... mesmo em um sábado de manhã.

Chegamos no parque em si no meio/fim da tarde e para nosso espanto, o clima estava totalmente chuvoso. Na entrada do parque, onde você paga uma taxa pela estadia no local, eles te fornecem um mapa, um jornal informativo e ainda tem a previsão de tempo da semana. E foi um alívio saber que o sol iria brilhar na manhã seguinte.

"CAMP 4 has been listed in the NATIONAL REGISTER OF HISTORIC PLACES by the United States Department of the Interior for its significant association with the histiory of modern rock climbing in America. FEBRUARY 21, 2003.

Após uma rápida volta pelo vale para nos localizarmos e vermos alguns pontos turísticos sob brancas nuvens, tentamos, sem sucesso, uma estadia no Camp 4 (O acampamento mais badalado - e barato - para escaladores). Como a regra de lá é quem chega primeiro fica com o espaço, chegamos um pouco tarde naquele dia e por isso fomos para outro camping, o Upper Pines, que, apesar de ser mais caro ($20 por dia contra $5 do Camp 4), era localizado perto de um dos centros comerciais do parque e tinha uma infra-estrutura com vários banheiros limpos e amplo espaço para cada barraca, tendo até estacionamento e bear box individual (Os bear boxes são caixas de ferro resistentes à ataques de ursos - comuns dentro do parque - para que você guarde a sua comida. Elas acabaram nos servindo de geladeira de tão frio que faz de noite). Com toda essa estrutura não espere ver muitos escaladores na área. A grande maioria são famílias americanas que estacionam ali os seus RVs e fazem seus extensos cafés da manhã nas fogueiras do camping. E se você está se perguntando sobre o banho, o próprio parque oferece o serviço de showers na área do Housekeeping Camp. Não pagamos nada a mais por isso e o banheiro era limpo com duchas boas.

Barraca pronta no Upper Pines

Tudo acertado, montamos nossa barraca e fomos procurar comida. Agora sim o fato de ser sábado fez uma grande diferença: As filas para os restaurantes e lanchonetes eram incríveis. Fizemos compras no mercado local e voltamos para o camping para jantar por lá mesmo. O parque é bem preparado (comercialmente falando). Você encontra lojas de lembrancinhas, restaurantes, mercearias, equipo de escalada e muito mais. Nada tema se você esqueceu algo... a probabilidade de se encontrar à venda por lá é grande (Um pouco mais caro do que fora do parque, mas nada absurdo).

O crash pad da BD coube direitinho lá dentro!

Dormimos uma noite gelada em nossa barraca isolada pelo incrível crash pad da Black Diamond (Uma verdadeira cama de casal, diga-se de passagem) e amanhecemos com um dia lindo e ensolarado, sem sinal das nuvens da noite anterior.


Finalmente a Escalada

Cláudio entrando no Midnight Lightning com a galera do Camp 4

Nossa finalidade nesta viagem era escalar muito boulder. Visando os clássicos, fomos primeiramente nos situados perto do Camp 4. O frio matinal era algo que requeria um bom aquecimento e com o tempo começamos a escalar só perto do meio-dia pois, vivendo no Rio, uns graus a mais fazem diferença!

Yuri em um boulder do Hotel Ahwahnee

No geral, escalamos no Camp 4 e nos boulders do Hotel Ahwahnee. Nos 3 dias em que ficamos em Yosemite conseguimos gastar a pele e trabalhar alguns projetos. Os problemas nos quais eu trabalhei, V0-V3, eram extremamente difíceis e técnicos. Muito regletinho, abaulado e pés ruins (Quando não eram escorregadios!). Mas foi uma experiência muito boa... liberar a mente e tentar o seu melhor. A galera que ficava no Camp 4 também era muito sociável e a troca de informações ali rolava solta. Com certeza lá é um bom lugar pra se arranjar parceiros pra pedra. Já na parte do Hotel, mais afastada, a infinidade de blocos e possibilidades impressionava. As pedras de lá tinham formatos bem diversificados e problemas tão difíceis quanto.


Vídeo produzido por nós mostrando um pouco de Yosemite e os seus boulders

Yosemite em si é um lugar fantástico em sua infinita altura. Tem horas do dia em que você só quer ficar ali, olhando para tanta imensidão, ouvindo o silêncio ser quebrado pelo canto de aves ou o passar de cervos em meio aos carvalhos. Prometemos a nós mesmos voltar em alguma viagem futura para fazer uma parede pois o lugar se torna irresistível pela sua perfeição.


Fatos interessantes:

- Durante nossa estadia lá, ouvimos boatos que três árvores haviam caído. Uma, inclusive, enquanto estávamos no boulder ali do ladinho. Tirei a foto pela peculiariedade da coisa toda. Acredito ter visto cupins ou algo similar na base dessa grande árvore que acertou levemente um carro no estacionamento(!).


- O pôr-do-sol em Yosemite (Ao menos nesses dias de outono) é vermelho. Lindo.


- E é com a boa vontade dos escaladores-artistas que o símbolo do boulder Midnight Lightning sobrevive! Um verdadeiro "chalk art"!


- Em Yosemite e lojas da região encontramos a barrinha energética Clif Bar! Além de uma certa identificação visual com a nossa escalada (O que nos chamou a atenção no mercado), esta barra é politicamente correta: orgânica, totalmente natural e com preocupação ecológica. Ah sim, e o gosto é bom (Isto conta 60% para mim)!!!


Bishop nos chama... próximo post!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Yosemite - Parte II

Bom, agora que o campeonato do Rio também passou estou mais tranqüila para escrever mais coisas sobre a viagem.

Golden Gate

Pegamos um vôo que terminava em San Francisco e ficamos dois dias por lá para aclimatar, fazer compras pra viagem e, claro, passear. Alugamos um carro para poder nos locomover com tranqüilidade para onde quiséssemos e não nos arrependemos. Claro que se paga a mais por isso mas a liberdade que se tem com o próprio carro é outra coisa e se locomover pelos EUA é relativamente fácil pela abundância de placas. Mas é totalmente possível de se fazer tudo utilizando o transporte público da região. San Francisco tem, além de ônibus e uma espécie de metrô (Chamado de Bart), o bondinho. E para se ir até Yosemite, você pode procurar pelos ônibus Greyhound ou os trens da Amtrak. A logística é um pouco diferente pois, aparentemente você tem de sair de Fresno e chegar em Merced (Cidade próxima ao parque) para finalmente pegar os ônibus do Parque. A internet está cheia de informações a respeito, é só procurar. Nos albergues em San Francisco também há milhões de informações.

A dica para quem quer alugar o carro é procurar o valor mais em conta pela internet e fazer a reserva online (Sem pagar nada, pagamento na retirada do veículo). Fizemos o aluguel na Budget e ao chegarmos na locadora o carro que havíamos reservado em questão estava esgotado. Eles são obrigados a te fornecer um outro (melhor) pelo mesmo preço. Demos uma sorte pois o carro que pegamos acabou sendo bem mais confortável e também bastante econômico (Não esqueçam de incluir a gasolina nos gastos). Ah sim, eles aceitam a Carteira de Habilitação Brasileira como documento válido juntamente com o passaporte.

Um pouco de San Fran:

Bondinho no centro

A cidade é bem urbana, com amplo transporte público conforme dito acima, paisagens bonitas, lugares para se conhecer e comer. Na média é uma cidade normal, um pouco cinza demais pelo fato de acumular névoa em certas horas do dia. A dificuldade que encontramos lá foi a compra de um notebook (Uma grande ironia já que lá tem o Silicon Valley!). No centro não existem lojas de PC e nos arredores haviam poucas opções de modelos. Outra coisa que uma cidade grande acarreta é a falta de estacionamento perto de bares e lugares badalados além do alto custo do estacionamento pago - Algo parecido como em São Paulo.

Ginásio de Escalada Mission Clifs

Para acordarmos da viagem longa, demos um treininho em um ginásio local, o Touchstone. Ele tem várias unidades e conhecemos a Mission Clifs (SF) e a Ironworks (em Berkeley). Nem preciso dizer que são lugares bizarros com uma infra de se dar inveja. Algo parecido com a Casa de Pedra porém, com espaçosas áreas para boulders. Uma das unidades possui até fenda de paredão para o treino!

Pratos do Samovar Tea Lounge

San Francisco também tem muitos restaurantes interessantes além de casas de chás e microcervejarias: Prato cheio para os degustadores de plantão. Para o pessoal natureba que quer fugir dos "burguers" americanos deixo a dica do Samovar Tea Lounge que tem pratos saudáveis, super saborosos e com preços bem acessíveis. Fora a carta de chá extensa e bem montada que é assunto para meu outro blog.

Escalada em si, só no próximo post! Já volto!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Yosemite - Parte I


Pois é, meus caros... os planos foram 98% do que eu esperava e por isso só atualizo sobre minha viagem agora que voltei (Os outros 2% pertencem ao fato de não termos encontrado o notebook desejado em San Francisco para poder ficar online quando necessário)! Mas prometo escrever aos poucos os nossos maravilhosos momentos por lá.

A foto acima é de quando chegamos, no fim da tarde, no Yosemite National Park e, infelizmente, não tive aquela sensação que todos falam da entrada do parque e sua maravilhosa visão. A maioria dos picos estavam escondidos atrás das nuvens. Mas nada temam! Essa foi a foto do dia seguinte:

Nem preciso dizer que a viagem rendeu horrores com esse tempo feio, né?

Agora preciso de uma boa noite de sono contínuo para poder escrever melhor para vocês depois. Cheguei faz umas horas e ainda estamos cansados da maratona. Fora a pilha de coisas para se lavar! Santa poeira de Bishop, Batman!